Manifesto
Não é uma frase de efeito. É um facto. Toda a rua, todo o largo, toda a igreja fechada e toda a casa com a cal a cair teve alguém que a construiu, que a habitou, que a defendeu ou que a perdeu. Essa gente deixou rasto. Em cartas, em livros de paróquia, em memórias escritas por padres e mestres-escola que ninguém lê há cem anos.
Nós lemos.
Acreditamos que a história não pertence aos museus nem às capitais. Pertence ao chão onde aconteceu. E por isso contamo-la ali mesmo, à porta do monumento, na esquina da rua, no sítio onde a pessoa está.
Não inventamos nada. Não pedimos a uma máquina que imagine o passado. Vamos aos arquivos, aos documentos, aos textos digitalizados que sobreviveram, e trazemos de lá o que lá está. Quando não sabemos, dizemos que não sabemos.
Acreditamos que as pequenas terras têm tanto a contar como as grandes. Que uma vila do Alentejo com dois mil habitantes pode ter uma duquesa que foi rainha, uma poeta que mudou a língua e um frade que a vila nunca esqueceu. E que essas histórias merecem ser ouvidas em português, em espanhol, em inglês, em nove línguas, por quem chega de longe e por quem nasceu ali e nunca soube.
Acreditamos que um mapa pode ser mais do que um mapa. Pode ser um arquivo vivo. Um lugar onde a memória de uma terra fica guardada, organizada e disponível para quem vier depois.
Começámos em Vila Viçosa. Seguimos para Borba, Estremoz, Elvas e Évora. Depois para o resto do Alentejo, para a raia, para o país inteiro.
Toda a terra tem a sua história.
Nós estamos a contá-la.