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10:00 – 18:00
Este edifício nasceu por causa de um casamento. Ou melhor: de dois. Em janeiro de 1729, no meio do rio Caia, ali na fronteira, Portugal e Espanha protagonizaram uma das cerimónias mais extraordinárias da história diplomática europeia: a Troca das Princesas. Num pavilhão construído sobre o rio, as duas coroas trocaram duas noivas, uma infanta portuguesa para o herdeiro de Espanha, uma infanta espanhola para o herdeiro de Portugal. D. João V, o rei mais faustoso que Portugal teve, fez desfilar até à fronteira um cortejo que consumiu uma fortuna: centenas de viaturas, milhares de cavalos e criados. E como a caravana real passava por Vila Viçosa, o rei mandou construir aqui, em 1728, uma Cocheira Real nova, digna de receber os coches da coroa. É dentro dela que está agora.
O edifício sobreviveu ao evento que o justificou, e continuou a servir. Depois de 1640, quando os duques se tornaram reis, o Paço passou a ser a residência de campo da família real, e assim ficou até ao fim da monarquia, em 1910. Por estas cocheiras e cavalariças passaram os cavalos e as viaturas de gerações de reis que vinham a Vila Viçosa descansar e caçar — incluindo D. Carlos, o penúltimo, que aqui passou os seus últimos dias felizes antes da viagem final para Lisboa, em 1908.
Depois veio a República, os motores substituíram os cavalos, e as cocheiras esvaziaram-se. Até que em 1984 a história fez uma das suas simetrias: um acordo entre o Estado e a Fundação da Casa de Bragança devolveu a este edifício a sua função original. Os coches voltaram às cocheiras. Vindos do museu de Lisboa, do Palácio da Ajuda, de Évora, de Coimbra e do próprio Paço, dezenas de viaturas reais reocuparam o espaço para que tinham sido feitas.
Percorra a exposição e repare no que estas máquinas realmente são: os salões ambulantes de um mundo desaparecido. Coches de gala oitocentistas, berlindas, viaturas de aparato dos séculos XIX e XX — cada uma construída para transportar não apenas pessoas, mas hierarquia: o dourado, o veludo, a altura a que se viajava, tudo comunicava poder. A monarquia portuguesa viveu de coche e, de certo modo, acabou num: foi numa carruagem aberta, em Lisboa, que o regicídio de 1908 pôs fim ao mundo que estas viaturas serviam.
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