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Museu de Arqueologia e Museu da Caça

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History

Quando os duques se mudaram para o Paço, no início do século XVI, este castelo podia ter morrido. Em vez disso, tornou-se aquilo que é hoje: o sótão da memória de Vila Viçosa. Dentro da alcáçova onde a família Bragança viveu os seus primeiros séculos funcionam agora dois museus, e cada um responde a uma pergunta diferente. O de Arqueologia pergunta: quem esteve aqui antes de nós? O da Caça: como viviam os que cá estiveram?

A resposta do primeiro começa da forma mais improvável. Boa parte desta coleção não foi escavada por professores universitários: foi reunida por António Dias de Deus e Luís Agostinho, dois funcionários da Colónia Penal de Vila Fernando que, nas horas que tinham, escavaram sítios arqueológicos por todo o Alto Alentejo. O volume e a qualidade dos achados foram tais que atraíram um arqueólogo de renome, Abel Viana, que estudou as peças e fundou este museu. Percorra as salas e faça as contas ao tempo: do Paleolítico ao século XVIII, com especial riqueza no período romano, escavado nesta própria vila. E depois há as surpresas: peças do Egito, de Cartago, e até pré-colombianas, parte delas vindas das coleções pessoais de um rei colecionador, D. Luís I. Um passeio pelo Mediterrâneo antigo e pelo mundo, dentro de um castelo medieval alentejano.

O segundo museu conta a grande paixão desta casa: a caça. Os Bragança transformaram a sua tapada no maior espaço natural amuralhado do país, dezoito quilómetros de muro a envolver um mundo de veados e javalis, e gerações de duques e reis vieram a Vila Viçosa sobretudo para isto. As salas mostram essa obsessão em modo grandioso: aves europeias, troféus africanos e asiáticos, um crânio de elefante pigmeu, e uma coleção de duas centenas de armas.

Mas há aqui um núcleo que merece um momento de silêncio. Em 1907, o príncipe herdeiro D. Luís Filipe fez uma grande viagem às colónias africanas, e das comunidades por onde passou recebeu armas cerimoniais, lanças, azagaias, peças de aparato, oferecidas a ele e ao pai, o rei D. Carlos, o caçador mais apaixonado que este castelo conheceu. As ofertas vieram engrossar as coleções da família. Meses depois, a 1 de fevereiro de 1908, pai e filho foram assassinados juntos, em Lisboa. As armas de gala africanas ficaram aqui: presentes de despedida que ninguém sabia serem de despedida.

Antes de sair, suba às muralhas. Lá de cima vê-se a vila inteira, o casario, as laranjeiras, o mármore por todo o lado. Os vigias medievais procuravam inimigos neste horizonte; o visitante de hoje procura o caminho para o próximo monumento. O castelo, esse, continua a fazer o que sempre fez: guardar. Já não guarda a fronteira. Guarda o tempo.

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