Uma porta, dois nomes. De manhã chamava-se do Sol. À tarde, Ravessa.
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Esta é uma das duas portas do castelo que D. Dinis mandou construir, e está quase igual ao que era há setecentos anos: um arco ligeiramente apontado, entre duas torres redondas, com as armas reais em mármore por cima. Mas o que os moradores lhe deram foi outra coisa: dois nomes, conforme a hora do dia.
A porta está virada a nordeste. De manhã, o primeiro sol bate-lhe de frente, e por isso lhe chamaram Porta do Sol. À tarde, o sol passa para trás das muralhas e a porta fica à sombra, do lado avesso da luz. Para essas horas ficou o outro nome, Porta da Ravessa. Nenhum dos dois ganhou ao outro, e a vila continua a usar ambos.
Por aqui passava a estrada que ligava Évora a Badajoz, e esta porta era a sua guarda. Em 1418, D. João I mandou que todos os viajantes entre Évora, Vila Viçosa e o Alandroal passassem pelo Redondo, e proibiu os caminhos alternativos. A vila, que tinha pouca gente, passou a ver chegar mercadores, almocreves e viajantes, quase todos a entrar por este arco.
Antes de passar, olhe para a pedra ao lado da entrada. Estão lá gravadas a vara e o côvado, as medidas oficiais de comprimento. Quem chegava com pano para vender na feira sabia que, ao atravessar esta porta, entrava numa terra onde a medida era igual para todos.
Hoje o nome Porta da Ravessa está em milhões de garrafas de vinho, e há quem visite o Redondo à procura da porta depois de ter conhecido o rótulo. Encontrou-a. É esta, a que de manhã ainda se chama do Sol.
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