Busto de Florbela 1

Busto de Florbela

statue

History

Em vida, Florbela publicou dois livros pequenos que quase ninguém leu. A glória chegou tarde e a monumentalização mais tarde ainda: este busto em mármore, do escultor Raul Xavier, foi inaugurado em 1964, trinta e quatro anos depois da sua morte, no mesmo ano em que o Grupo dos Amigos de Vila Viçosa trasladou os seus restos mortais de Matosinhos para o cemitério da vila.

A inscrição no plinto — «A Florbela Espanca, 8-12-1894 / 7-12-1930» — guarda uma gralha involuntariamente comovente: Florbela morreu na madrugada de 8 de dezembro de 1930, no dia em que fazia 36 anos. Nasceu e morreu no mesmo dia do calendário.

Num soneto do *Livro de Mágoas*, escrito muito antes de qualquer estátua, Florbela sonhou ser «a Poetisa eleita» e acordou a dizer que não era nada. O tempo encarregou-se de a desmentir.

Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita, Aquela que diz tudo e tudo sabe, Que tem a inspiração pura e perfeita, Que reúne num verso a imensidade! Sonho que um verso meu tem claridade Para encher todo o mundo! E que deleita Mesmo aqueles que morrem de saudade! Mesmo os de alma profunda e insatisfeita! Sonho que sou Alguém cá neste mundo ... Aquela de saber vasto e profundo, Aos pés de quem a Terra anda curvada! E quando mais no céu eu vou sonhando, E quando mais no alto ando voando, Acordo do meu sonho ... E não sou nada! ...

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