castle
A 27 de abril de 1318, D. Dinis assinou o foral do Redondo. Com ele, quem vivia aqui passou a ter concelho, regras próprias, limites definidos, uma bandeira e selos. Mas a carta trazia uma condição: os moradores tinham de construir um castelo à sua custa, e acabá-lo o mais depressa possível. O rei dava a autonomia. A defesa, pagava-a o povo.
E o povo cumpriu. Por cima da Porta da Ravessa, uma pedra com as armas reais regista o início das obras no ano de 1357. Não é engano. É a Era de César, o calendário que então se usava em Portugal, e que corresponde ao ano de 1319 do nosso. Um ano depois do foral, o Redondo já estava a erguer as suas muralhas.
Repare bem nessa porta. Tem gravadas na pedra a vara e o côvado, as medidas oficiais de comprimento. Os mercadores de pano que vinham à feira tinham de medir por elas, e ninguém podia dizer que tinha sido enganado. O castelo defendia a vila da guerra e defendia o comprador da batota.
Lá dentro, a Rua do Castelo liga as duas portas. Ali estiveram a antiga Câmara, a cadeia e o celeiro comum, onde se guardava o trigo para os anos de fome. Durante séculos, tudo o que era de todos estava aqui dentro. Na outra porta, a do Postigo, ficaram as armas de D. Vasco Coutinho, que em 1500 se tornou o primeiro Conde de Redondo.
Hoje a Porta da Ravessa dá nome a um dos vinhos mais conhecidos do Alentejo, e viaja pelo mundo em rótulos de garrafa. Mas começou por ser a entrada de um castelo que o povo construiu com as próprias mãos, em troca do direito de se governar.