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Museu de Arte Sacra

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History

Vila Viçosa já foi uma vila de conventos. Além dos panteões dos duques e das duquesas, havia casas religiosas espalhadas por estas ruas, com as suas igrejas, os seus claustros, as suas rotinas de sinos e orações. Um a um, todos fecharam: as ordens religiosas foram extintas no século XIX, e as últimas freiras foram-se apagando devagar, décadas fora.

Mas os tesouros ficaram. E vieram parar aqui, ao antigo Convento de Santa Cruz, da Ordem de Santo Agostinho. Hoje, este museu concentra a arte sacra e as joias dos conventos e igrejas de toda a região: estátuas, paramentos, um altar dourado, uma coleção de prata em que cada peça está identificada e explicada. É o cofre da Vila Viçosa que desapareceu, a vila dos sinos e dos hábitos, que já não se vê nas ruas mas se guarda nestas salas, entre azulejos do século XVII.

E este convento tinha uma especialidade que ainda hoje pode provar. Como em todos os conventos da vila, as freiras de Santa Cruz faziam doces: e que doces. O Manjar do Rei, o Toucinho Amendoado, as Fatias Reais, o Bolo das Freiras, as Rainhas-Cláudias recheadas. Açúcar do Brasil, gemas de ovos, amêndoa do Alentejo: a santíssima trindade da doçaria conventual portuguesa nasceu em casas como esta. As freiras partiram; as receitas, essas, escaparam pelas portas do convento e continuam vivas nas pastelarias da vila. Quando sair daqui, prove uma. É património que se come.

Um último pormenor, talvez o mais bonito: este museu não é mantido por nenhum grande organismo. É uma liga de amigos que o guarda, o recupera e o mostra, peça a peça. Os conventos de Vila Viçosa tinham as suas irmandades; o museu que lhes guarda a memória também tem a sua. Algumas tradições não morrem. Só mudam de nome.

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