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Castelo de Vila Viçosa

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History

Durante mais de um século, os Bragança viveram aqui, no velho Paço do Castelo. Foi entre estas muralhas que a família cresceu, governou e sonhou — segundo a tradição Calipolense, terá sido aqui que nasceu D. Afonso, o primeiro Duque de Bragança, filho do rei D. João I. Sem ele, não haveria Casa de Bragança. E sem a Casa de Bragança, Vila Viçosa seria hoje uma vila alentejana como as outras.

Mas em 1483 tudo mudou. D. Fernando, 3.º Duque de Bragança, foi acusado de traição e executado em Évora por ordem do rei D. João II. A família foi exilada para Castela, os bens confiscados, o nome riscado. O filho, D. Jaime, era uma criança quando viu o mundo desabar.

Quando os Bragança foram finalmente perdoados e regressaram, anos mais tarde, D. Jaime recusou-se a viver no castelo. Cada pedra lhe lembrava o pai. Preferiu mandar construir um palácio novo, fora das muralhas — o Paço Ducal que hoje domina o Terreiro do Paço. O castelo ficou para trás, transformado em memória de pedra.

Mas não adormeceu de vez. Erguido por D. Afonso III no século XIII para vigiar a fronteira com Castela, voltou ao serviço durante as Guerras da Restauração, quando ganhou os baluartes de artilharia que ainda hoje se veem — pedra medieval adaptada aos canhões do século XVII.

Hoje alberga o Museu de Arqueologia, com milénios de ocupação humana da região. Suba à torre de menagem e olhe as planícies: é a mesma vista que os vigias medievais varriam à procura de cavaleiros castelhanos. Agora, em vez de exércitos, verá olivais e laranjais até perder de vista.

E quando descer, siga até ao Paço Ducal. É lá que esta história continua — e ganha contornos de tragédia.

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