Primeiro vieram as pragas. Depois vieram catorze homens. E uma porta de castelo acabou em milhões de garrafas.
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Este museu abriu em 2001 com uma ideia simples: ser o ponto de partida para quem quer perceber o Alentejo. Lá dentro estão as ferramentas com que se fez vinho durante gerações, as alfaias, as máquinas de engarrafar, os trajes de quem trabalhava na vinha. Mas a história que estes objetos contam começa com um desastre.
No século XIX, três pragas atravessaram as vinhas do Alentejo: o oídio, o míldio e, por fim, a filoxera, um inseto minúsculo que matava as videiras pela raiz. Muitos agricultores do Redondo deixaram de confiar só na vinha. Plantaram oliveiras no meio das cepas, para que, se uma colheita falhasse, a outra os segurasse. Durante décadas, o vinho foi aqui uma aposta de risco.
Em meados do século XX, catorze viticultores do Redondo decidiram juntar-se. Sozinhos, cada um vendia pouco e mal. Juntos, fundaram a Adega Cooperativa. Hoje são cerca de duzentos, quase todos os que fazem vinho na sub-região, e a adega produz por volta de dez milhões de litros por ano.
Em 1990, a cooperativa precisava de um nome para um vinho novo e foi buscá-lo ao castelo da vila: a Porta da Ravessa, a mesma por onde se entrava na vila medieval, onde os mercadores mediam o pano pela vara e pelo côvado gravados na pedra. O vinho tornou-se um dos mais conhecidos do país e chegou a vender sete milhões de garrafas num ano.
Quando beber um copo de Redondo, lembre-se de que o nome vem de uma porta com setecentos anos, e que o vinho só existe porque, depois das pragas, houve quem não desistisse da vinha.
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