Museu do Mármore 1

Museu do Mármore

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10:00 18:00

€3,53

History

Antes de entrar, pare à beira da pedreira e olhe para baixo. Este vazio enorme, aberto na terra, é o contramolde de tudo o que viu até aqui. A fachada de cento e dez metros do Paço Ducal, os túmulos dos duques, a fonte da praça, o altar da Padroeira, as ombreiras da casa mais humilde: tudo saiu de covas assim. Vila Viçosa é uma vila construída duas vezes, uma para cima, em palácios, e outra para baixo, em pedreiras. Este museu é o único sítio onde se visitam as duas ao mesmo tempo.

A história é mais funda do que o buraco. Há dois mil anos que se arranca pedra a esta terra: foram os romanos os primeiros a explorá-la em força, e foram eles que lhe deram o nome que ficou. Marmor, diziam, a pedra de qualidade, a pedra que brilha. O filão que corre debaixo de Vila Viçosa, Borba e Estremoz é dos mais notáveis do mundo, e fez desta zona o maior centro extrator de mármore de Portugal, com a pedra daqui a viajar para obras nos cinco continentes. Quando os duques quiseram construir a sua capital, não precisaram de importar grandeza: bastou-lhes cavar.

Lá dentro, o museu conta o ciclo completo, da geologia à obra de arte, e fá-lo com uma elegância involuntária: as salas têm os nomes das cores da pedra. Sala Creme, Sala Rosa, Sala Azul, Sala Branco, Sala Ruivina. Porque este é talvez o segredo mais bem guardado do mármore alentejano: toda a gente o imagina branco, e ele é uma paleta inteira, do rosa ao azulado, das veias cremes ao castanho profundo da ruivina. A terra, aqui, não dá uma pedra: dá um catálogo.

E depois há os homens. Cá fora, a maquinaria antiga conta o custo disto tudo: os guindastes, os cabos, os engenhos com que gerações de trabalhadores das pedreiras desceram ao fundo dos poços de pedra, num dos ofícios mais duros e arriscados do Alentejo. Cada bloco perfeito que subiu à superfície subiu por mãos que arriscaram muito. Quando voltar a passar por um palácio de mármore, em Vila Viçosa ou em Lisboa, lembre-se: antes de ser luxo, isto foi suor.

À saída, olhe outra vez para a pedreira esgotada. Deu tudo o que tinha, e o que tinha está agora de pé, espalhado pela vila e pelo mundo, em fachadas, altares e túmulos. Há terras que se visitam olhando para cima. Esta só se entende inteira quando se olha, também, para baixo.

E se esta história lhe abriu o apetite, ela não acaba aqui. O CECHAP, o Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Patrimónios de Vila Viçosa, promove a Rota do Mármore: uma viagem guiada por este mundo da pedra, das pedreiras vivas às oficinas de quem a trabalha. Vá ter com eles. Estão ali junto ao Castelo, e ninguém conhece melhor esta história. Diga que quer ver o mármore por dentro.

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