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Estás no Terreiro do Paço, diante da fachada de mármore dos Duques de Bragança o palácio de onde partiu o último rei de Portugal. Florbela nasceu à sombra desta grandeza, mas do lado de fora dela: filha natural, registada de pai incógnito, numa vila onde os palácios eram dos outros. Talvez por isso sonhou toda a vida com pórticos, castelos e reinos e descobriu, em cada um, o mesmo cansaço. Neste soneto, deixado entre os seus últimos papéis, ela percorre os palácios do mundo inteiro para concluir que nenhum a cura. Chama-se «Nihil Novum» nada de novo.
**Na penumbra do pórtico encantado De Bruges, noutras eras, já vivi; Vi os templos do Egito com Loti; Lancei flores, na Índia, ao rio sagrado.
No horizonte de bruma opalizado, Frente ao Bósforo errei, pensando em ti! O silêncio dos claustros conheci Pelos poentes de nácar e brocado...
Mordi as rosas brancas de Ispahan E o gosto a cinza em todas era igual! Sempre a charneca bárbara e deserta,
Triste, a florir numa ansiedade vã! Sempre da vida – o mesmo estranho mal, E o coração – a mesma chaga aberta!
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